No dia 1º de outubro, uma reunião no gabinete do vereador Dinho, na Câmara Municipal de Florianópolis, colocou na mesma mesa uma preocupação que vinha crescendo no setor: o que ainda pode ser feito pela próxima temporada. Estavam ali o secretário municipal de Turismo, Juliano Pires; Rubens Regis, presidente do Destino Floripa & Região, Convention & Visitors Bureau; Rodrigo Machado e Patrícia Comicholi, representando hotéis do Norte da Ilha; e eu, representando o Núcleo de Hotéis da Região Central de Florianópolis; além de outros representantes ligados ao turismo.

A conversa não começou ali. Semanas antes, ficou claro que uma ação de aproximadamente R$ 300 mil, prevista pela Secretaria de Estado do Turismo com a Decolar, não seria executada no período planejado. A janela passou. Ao mesmo tempo, a hotelaria via sinais de desaceleração na demanda e começou a procurar saídas com as entidades e o poder público.

Sequência de acontecimentos que levou à reunião de 1º de outubro

Rodrigo Machado teve papel importante nessa articulação. Ele vinha reunindo dados sobre a redução da oferta aérea, o ritmo das reservas e as perspectivas dos meses seguintes, enquanto mobilizava empresários e representantes do setor. Entre os números levados à discussão estava a redução de aproximadamente 60 para 30 voos diários em determinados períodos. As projeções de ocupação futura também não davam segurança para que os hotéis autorizassem investimentos maiores antes da temporada.

Foi nesse ambiente que Dinho fez a ponte com a Secretaria Municipal de Turismo e reuniu os interlocutores para discutir uma alternativa.

Do recurso que não saiu ao projeto de R$ 450 mil

Juliano Pires levou a principal informação da reunião: a Secretaria Municipal de Turismo conseguiu viabilizar R$ 450 mil para um projeto emergencial de promoção e geração de demanda.

Da ação estadual de R$ 300 mil não executada ao projeto municipal de R$ 450 mil

Segundo Juliano, a Secretaria já tinha praticamente comprometido o orçamento do ano, cerca de R$ 7 milhões destinados a promoção, comunicação e marketing. O caminho encontrado foi realocar recursos da área de inovação que provavelmente não seriam usados por completo dentro do exercício.

O dinheiro, porém, não resolvia a questão sozinho. Era preciso uma estrutura jurídica que permitisse sua aplicação. Não bastava repassar o recurso a uma entidade privada para contratar a Decolar.

A solução foi desenhar um projeto emergencial mais amplo, capaz de reunir diferentes ações e parceiros sob a mesma estratégia.

O plano de promoção foi deferido e deve ser publicado no Diário Oficial ainda esta semana.

Onde os R$ 450 mil entram

Pelo que foi apresentado na reunião, cerca de R$ 300 mil devem ir para a ação com a Decolar e outros R$ 150 mil para iniciativas complementares.

Composição dos R$ 450 mil para promoção e geração de demanda

O desenho prevê contrapartidas privadas. No caso da Decolar, a expectativa é que os R$ 300 mil públicos encontrem investimento equivalente da empresa. A ação específica, assim, pode chegar a aproximadamente R$ 600 mil. A ideia é buscar uma lógica semelhante nas demais parcerias para ampliar o alcance do recurso municipal.

O Chile aparece entre as prioridades. A ampliação da oferta aérea e a resposta recente desse mercado aumentaram sua relevância para Florianópolis. A Cocha foi citada como uma das parceiras possíveis; outras negociações ainda estavam em andamento.

O mercado doméstico também está dentro da estratégia, com atenção especial a São Paulo.

Mercados emissores, canais e parceiros da estratégia de promoção

A compra ainda está acontecendo

As informações trazidas da FIT, em Buenos Aires, ajudam a entender por que essa mobilização ainda faz sentido. Durante a reunião, foi mencionada uma janela aproximada de 25 a 30 dias em que uma parcela relevante do consumidor argentino decide a viagem.

Janela de decisão de viagem de aproximadamente 25 a 30 dias

Perder a primeira janela trouxe atraso, evidentemente. Mas, se a antecedência de compra está mais curta, uma parte importante das decisões ainda não aconteceu. É esse consumidor que a ação emergencial tenta alcançar.

O resultado vai depender de transformar exposição em interesse e interesse em reserva enquanto a temporada continua em formação. Campanha alguma resolve câmbio, clima, economia, oferta aérea ou a concorrência de outros destinos. Ela pode, no entanto, disputar a parte da demanda que ainda está aberta.

A promoção resolveu uma parte do problema

O encontro tinha uma urgência concreta: a campanha estadual não saiu, a temporada se aproximava e o setor precisava reagir. Florianópolis encontrou uma saída para isso. Viabilizou R$ 450 mil, estruturou a operação e reuniu Decolar, outros parceiros, contrapartidas privadas e mercados emissores na mesma estratégia.

Daqui para frente, a questão é acompanhar o que essa movimentação entrega de fato. O dinheiro foi viabilizado; a promoção será feita. O que interessa agora é saber se ela gera demanda e reserva.

Se a janela de compra está ficando mais curta, como saber se uma baixa ocupação futura representa apenas reservas que ainda não chegaram ou uma demanda que realmente deixou de existir?

Essa resposta pede informação antes que o resultado apareça: demanda, preços, eventos, oferta aérea e comportamento dos mercados. Sem isso, uma ocupação futura baixa pode ser lida como falta de procura quando as reservas apenas ainda não chegaram — ou o contrário.

Da promoção à próxima pergunta: antecipar demanda, preços, eventos e movimentos de mercado

É sobre essa necessidade de ler o mercado antes do fechamento da temporada que tratarei no próximo artigo.